segunda-feira, 29 de agosto de 2011

INSÔNIA FEBRIA

Era inverno e estava frio e escuro no quarto. Mesmo com o dia fatigante que teve, Sabrina não conseguia mais dormir, olhou no relógio do celular e viu que eram três da madrugada, virou para o lado e viu Pedro deitado ao seu lado com a face tranqüila, usando apenas uma cueca samba canção e o lençol embrulhando-lhe as pernas. Agoniada, levantou, abriu a porta do quarto devagar para que Pedro não acordasse, colocou a pantufa e saiu em direção à cozinha. Havia faltado luz, então acendeu a vela que estava em cima do barzinho, pegou um copo no armário e foi até a geladeira colocar água para beber. Ao abrir a geladeira, mesmo no escuro, encostou a mão em um garrafão de vinho ainda fechado, pegou-o e o pôs em cima da mesinha da cozinha ao lado da vela, abriu-o e colocou aquele líquido no copo que era para ser da água, lembrando que aquele era um presente que não teve coragem de entregar à Fernanda, sua ex-namorada que em poucos minutos partiria a procura de uma nova vida longe da cidade.
Após tomar dois copos de vinho, levantou e foi até a sala, onde estavam guardadas as caixas com toda a ornamentação para a sua festa de casamento que ocorreria em breve. As caixas se organizavam uma em cima da outra e eram muitas, a sala estava quase toda cheia de tanto bagulho, mas os pais de Sabrina nada reclamavam daquelas coisas jogadas por lá, pois deduziam que aquilo era importante para a filha, era uma vida a dois começando a ser construída. Sabrina olhou distante e triste, porém, percebeu que além das caixas, havia também três colchões de solteiro arrumados com lençóis limpos, mas, por que estariam no meio da sala aqueles colchões se somente Sabrina e Pedro estavam na casa?Pensou Sabrina que pudesse estar delirando e sentiu naquele momento que uma febre a consumia e a fazia suar, foi quando escutou uma voz distante e conhecida, que ao mesmo tempo em que a assustava, deixava-a ansiosa para saber de onde vinha, então resolveu percorrer os compartimentos da casa pequena de seus pais que estavam viajando, casa que parecia ficar cada vez maior a cada passo que dava. Abriu porta por porta de cada quarto, quartos que não acabavam mais.
De repente, ao abrir uma das portas avistou um beliche de madeira muito belo, como o que ela tivera muitos anos atrás.

(continua)

2 comentários: